6“As diferenças no modernismo são muitas vezes mais notáveis e levam-nos mais longe que as semelhanças. Estas apontam para as características especiais do edifício individual no sei ambiente, na sua situação histórica, nos seus utilizadores, mas as semelhanças referem se apenas as categorias que foram criadas pela arte ou pelos historiadores da arquitectura e em geral, raramente vão mais longe.”
Por tal razão que a citação acima refere, apesar de a obra conter um traçado em planta característico do movimento moderno, este elemento é imediatamente contraposto quando olhamos para a fachada do projecto e vemos que aquilo que o caracteriza e nos atrai reside não só no tipo de material utilizado mas também nas sensações que este provoca. A qualidade do material e a forma como este é trabalhado acaba por se sobrepor às qualidades funcionais do projecto.
Além disso, como é sabido, um dos arquitectos modernistas com o qual podíamos identificar Souto Moura, Mies van der Rohe, representava mais planos que paredes, e no entanto este autor projecta os muros como “peças que ‘escapam’ da linha de conclusão”, necessitando de acabamento e impedindo a leitura do plano como lemos em Mies.
Souto de Moura faz com que prevaleça o aspecto de obra interrompida ou inacabada, como que uma negação da claridade de desenho do projecto, Desta forma contribui uma vez mais para a expressão dum antagonismo com o movimento moderno.
Também representantes deste constante contraste com os modelos canónicos do modernismo, são os cinco monólitos de secção quadrada e alturas crescentes. Estes apoiam-se sobre o muro que marca o desnível e que, ao mesmo tempo, define o espaço reservado ao campo de ténis, como se de um monumento se tratasse. Elementos remanescentes altivos de algum foro romano destruído, provocando a referida sensação de permanência, de ruína onde “uma coluna quer ser mais do que uma simples coluna”.
6.GÖSSEL, Peter, “o que é a arquitectura moderna?”, em LazloTashen(ed), Arquitectura Moderna de A-Z, Zurique Suíça: Tashen 2010 pp 6-7
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